domingo, 5 de junho de 2011

POLÍTICA CONTRA O ESPELHO


ESSAS PALAVRAS ANGUSTIANTES
São as vísceras
Da minha anarquia solitária.
Estou confortado
Com a ausência dos meus clones,
Útero da democracia dos fantasmas
Que habitam minha casa.
Resquícios de demônios vivos
Que trabalham em regime de escravismo
Na urdidura da ditadura
Do meu raciocínio apodrecido,
Onde sobrevive a vontade de ser
Um cemitério de flores raras.
Plantadas por um fugitivo do manicômio
Que tenta subir ajoelhado
Os degraus da liberdade
Sem enxergar o final da escada.
Meu presente silêncio
Uniformizado de carcereiro armado
Nas portas do senado
De um sistema falho
Entra em ponto de ebulição
Ao dar vazão às palavras
De minhas antigas bocas costuradas.
Algumas morreram censuradas
E outras emergem ressuscitadas
De braços abertos
Em cartas brancas destinadas
À forca e à gravata.

Um comentário:

  1. como estudante de política não posso deixar de ler esse poema e demonstrar a alegria imensa que sinto com tanta astúcia, habilidade, conhecimento, conotações maravilhosas utilizadas pelo vocabulário político e pelas questões humanas.

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