ERA O QUE ELE FAZIA
Todas as noites:
Descobria o gosto
De copos de cachaça,
Como se procurasse
A perdida cor de seus olhos
No fim de cada sabor.
Também gostava de olhar
Por entre as pernas
Das mulheres sentadas,
Vestindo saia e abertas para o vento
No outro lado do bar.
O mundo
Tinha um movimento desafinado,
Mas as guitarras lentas
Nunca morriam,
Isso era um sorriso
Que somente ele conseguia entender.
Olhou para o relógio na parede;
“O tempo é
um assassino...”, ele pensou.
Então não haveria culpado
Para todos os roubos, estupros, assassinatos,
Suicídio em massa de uma população
Que o mundo esqueceu, terrorismos,
E desvios de verba pública
A realidade dentro da poesia sempre será mais bonita.
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