segunda-feira, 8 de julho de 2013

ONTEM BEIJEI A MÃO DELA, ACHO QUE PELA ÚLTIMA VEZ.



ERA O QUE ELE FAZIA

Todas as noites:

Descobria o gosto

De copos de cachaça,

Como se procurasse

A perdida cor de seus olhos

No fim de cada sabor.

Também gostava de olhar

Por entre as pernas

Das mulheres sentadas,

Vestindo saia e abertas para o vento

No outro lado do bar.

O mundo

Tinha um movimento desafinado,

Mas as guitarras lentas

Nunca morriam,

Isso era um sorriso

Que somente ele conseguia entender.

Olhou para o relógio na parede;

“O tempo é um assassino...”, ele pensou.

Então não haveria culpado

Para todos os roubos, estupros, assassinatos,

Suicídio em massa de uma população

Que o mundo esqueceu, terrorismos,

E desvios de verba pública

Que escrevera no jornal.

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