ESTOU VAGANDO
O ambulatório do hospital.
Vim descobrir
Minhas novas doenças.
Fiz uma cirurgia
Para arrancar
Tanto corpo estranho
Infectando minha carne.
Fiz outra cirurgia,
Implantei um sorriso
Que eu ainda não tinha.
Implantei um chão e um teto, quatro
paredes e nenhuma porta para abrigar material cefálico.
Costurei as feridas abertas do meu
rosto e inseri novas tripas que consigam sustentar tudo o que contraí passando
por experiências humanas.
Injetei uma bomba relógio que
despedaça meu corpo e dispara meus braços, corações, cabeças e sangue contra as
estatuas de gelo e os homens de palha a se tomarem por fogo. Engoli essa moda
em cirurgia estética.
Extraí a fuligem dos meus pulmões
E substituí meus oculares
Que viram a enfermeira gostosa, o
parto, o aborto, o suicídio, o assassinato, os anjos da morte, a infecção
hospitalar, a morte por negligência médica e a amputação de membros errados na
fila do hospital público.
Contratei outro médico
Para me convencer
De que eu não sou
Minha própria doença.
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