sábado, 8 de junho de 2013

JAMAIS CONTAREI OS SEGREDOS DO MEU CÂNCER


ESTOU VAGANDO
O ambulatório do hospital.
Vim descobrir
Minhas novas doenças.
Fiz uma cirurgia
Para arrancar
Tanto corpo estranho
Infectando minha carne.
Fiz outra cirurgia,
Implantei um sorriso
Que eu ainda não tinha.
Implantei um chão e um teto, quatro paredes e nenhuma porta para abrigar material cefálico.
Costurei as feridas abertas do meu rosto e inseri novas tripas que consigam sustentar tudo o que contraí passando por experiências humanas.
Injetei uma bomba relógio que despedaça meu corpo e dispara meus braços, corações, cabeças e sangue contra as estatuas de gelo e os homens de palha a se tomarem por fogo. Engoli essa moda em cirurgia estética.
Extraí a fuligem dos meus pulmões
E substituí meus oculares
Que viram a enfermeira gostosa, o parto, o aborto, o suicídio, o assassinato, os anjos da morte, a infecção hospitalar, a morte por negligência médica e a amputação de membros errados na fila do hospital público.
Contratei outro médico
Para me convencer
De que eu não sou
Minha própria doença.

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