“...Sabendo que
posso morrer...”, os fones emitiam ondas mecânicas para esfaquear meus
ouvidos. Música, MATANZA. “... Não
poderia ser diferente com toda essa gente me olhando esquisito...”, então
um momento para a autocrítica. Eu estava numa livraria ― onde futuramente eu
pretenderia pedir emprego ―, na seção de livros infantis, ocupando um sofá
destinado a crianças. Vestindo calça jeans rasgada nos joelhos e um pouco suja,
uma camiseta escrita CANNIBAL HOLOCAUST com estampa explicita de uma mulher
empalada cercada por pessoas não muito normais comendo carne humana com a mão.
Uma blusa de flanela desbotada por cima. Barba estranha, algumas unhas um pouco
grandes, outras com marcas de mordidas, cabelo alto. Piercing na língua
contornando lábios. Nos dedos uma tatuagem ilegível e malfeita. Nas mãos, um
livro intitulado de O AMOR É UM CÃO DOS DIABOS do tal Charles Bukowski, que
nunca ouviram falar. Sapatos brilhantes e bem engraxados (acho que é a única
dignidade representativa que ainda me resta). No pescoço, uma corda que
sustenta uma chave antiga. E toda essa gente me olhando esquisito.
esse é o preço a se pagar por ser autentico...
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