UMA CRIANÇA
Fingia-se de louca
E tocava violão
No meio da rua.
Tremia os dedos nas cordas
Para fugir da escravidão.
A criança tremia o corpo
E dançava num momento
Em que era mais sincera
Do que seus pais
Explicando sobre a morte,
Sobre o sexo,
Sobre deus
Sobre dinheiro
Ou sobre o por que
A criança não deve mentir.
A criança no meio da rua
Atuando uma crise de epilepsia
Sem deixar o violão cair,
Empenar o braço
Ou desafinar as cordas.
Uma criança que atua tão bem
E tão facilmente
quanto sonha.
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