PEDI UM CAFÉ
E para comer, pão com fatias de animal morto;
Meu vício e minha fome.
Início da manhã de hoje, inverno.
E o frio varria as pessoas que por ali caminhavam:
Alcoólatras, camelôs, dançarinos improvisados,
Deficientes, empresários, engraxates,
Homicidas, ladrões, mendigos,
Vendedores
De livros, de flores,
De entorpecentes, de música,
De sexo, de ouro derretido,
De vagas no céu, de almas de Deus,
Músicos de rua com violinos quase sem corpo
E corpos que violam passos quase sem música.
Todos esses são atores.
.
O COPO FICOU VAZIO
Enquanto eu escrevia textos
Que agradariam somente a mim
mesmo.
Então, pedi a segunda dose:
―
Mais café, por favor.
Sorriso de quem me entregou
O
quente, forte, doce, amargo, escuro.
Agradeci o café e o sorriso.
Um velho aproximou-se de mim
e disse:
―
Filho, pode me pagar um gole de café?
Assenti.
Enquanto ele bebia,
Cafeína cruzando com
aparente felicidade,
Comentei sobre esse bom gosto
em manhãs de frio.
Ele concordou e agradeceu
três vezes.
Desejo
café para todos que o queiram.
.

Me emocionou a sua escrita. É agoniantemente aconchegante.Possuo uma paixão pelo café. Ele sempre acompanha minhas palavras.
ResponderExcluirAchei lindo e carregado da mais pura verdade o que escreveu.